O dia some no horizonte... e, na vastidão da noite, tremulam bandeiras da aurora... Longínquo, aves brancas cruzam os ares em sons vorazes... e as águas líquidas e trêmulas sacodem gotículas em mudos temores...
Corra por aquela estrada e não pare em dores... nem ao menos para verter lágrimas... O caminho o aguarda, solene, perene, silencioso, suave... em uma sentença muda.
Toquei a sineta e esperei pelo teu olhar... Toquei a sineta e aguardei pelos teus passos, pelo rumor do teu riso, pelo carinho de tua face, pelo suave aconchego do teu amor...
O lírio jamais fenece em terras fétidas de luz... O lírio jamais morre em lamas pardacentas carentes de luz... O lírio jamais descolore em águas turvas órfãs de luz... O lírio jamais sucumbe em margens escuras destituídas de luz... O lírio jamais enegrece em vegetação nodosa esquecida de luz!
Rios de risos envolvem teu semblante em constante rebuliço e encantos... Rios de esperança cobrem teu corpo, tua alma, em calmas suaves de curas eternas...
Desfolharam várias margaridas... e os dias se cobriram de cinza sem a tua presença... Despetalaram vários ipês... e as flores mancharam de lágrimas os caminhos vazios...
Quando o sol despontar no horizonte, morrerão nossas lágrimas, sucumbirão nossas dores, desaparecerão nossos sofrimentos e os lamentos de noites sem fim... Quando o sol banhar nossas almas, as luzes da aurora colorirão nossa estrada...
O amanhã, por certo, dirá de nossos sonhos, lutas, esperanças, confianças e raios de sol... O amanhã, por certo, nos mostrará o caminho, o ninho, a direção, a comunhão, a união de novos matizes e rimas da alma...