“Janelas se abrem, asas misteriosas do infinito... descortinam dias e horizontes, fontes e luzes... São matizes. São passagens. Travessias. Janelas d’alma.” Amanhecera, e meus olhos – janelas aladas – doeram com a claridade que teimava em entrar através das cortinas. O dia, lá fora, coloria-se de tons laranjas, enquanto o sol, convidado elegante, brindava-me com sorrisos quentes. Levantei-me, quase em sonolências de névoa. Parecia mesmo que eu não pertencia ao mundo real. Eu era apenas o reflexo de mim mesma. Afastei com lentidão a cortina cinzenta e desbotada e espiei o amanhecer morno e luzidio. O grito dos ambulantes madrugadores, o ruido incessante dos automóveis explodiam em perfumes ásperos e cortantes. A manhã pariu em fios de vida. Pontinhos de prata pince...