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Mostrando postagens de março, 2022

Toques de inverno

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 Pés em desalinho, cachecol colado ao corpo, olhos de coração... saí ao encontro do meu amor... Na rua, folhas secas, acenavam adeuses... e o céu estrelado em nuvens acariciou-me com seus longos braços azuis...

Reflexo

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  Olhou em silêncio para o espelho... e a superfície fria lhe devolveu a imagem de um rosto com nuanças de brumas... " O tom escaldante do seu adeus é apenas o reflexo amargo, doído da face oculta... que o espelho esconde." As palavras cinzas pulsaram  na alma... Já os olhos, pupilas de lágrimas, transformaram-se em janelas...  e foi por onde meu ser escapuliu...

Passado

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O ônibus chegou e eu havia deixado o passado para trás... Na alma, retalhos empoeirados de  uma existência costurada com linhas farpadas... Sentimetos nefastos e sofrimentos algozes perderam-se... no vazio longínquo... Agora, o mundo era esperança azul e as horas pincelavam metamorfoses... O ônibus chegou e a vida em pétalas abrira-se. mais uma vez...

Noturno

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  O sol se pôs no horizonte... e o céu da tardinha salpicou-se de tons alaranjados... O dia morria em aquarela... para que a noite ressuscitasse em tons de prata e lua... "Estrelou o escurecer!" Da janela, em olhos de brisa, observei a chegada dos perfumes e sons noturnos... Coração tranquilo, sorrisos fartos, esperanças florescendo em pétalas ao vento. A espera me encharcou de paz... E o entardecer me cobriu com seu manto protetor...

Poema primaveril

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  Primavera chegou e pintou bordados coloridos nas telas do jardim. Primavera na alma, primavera na terra. Estradas, parques e quintais cheirando a mato verde e o orvalho perfumado beijando o sol nascente. Há sorrisos de estrelas e mãos dançantes... Há vestidos rodados e rodas-gigantes... Primavera da esperança, primavera das alianças.

Inocência - poema premiado

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  A menina brinca com uma boneca de pano velha, suja, rasgada... Os olhinhos da pobre menina brilham,  suas mãozinhas magras procuram trançar o cabelo da bruxinha... Ela espera.  Os ternos lábios entreabertos, os dentinhos ainda alvos... Talvez... esteja esperando por uma fada! Inocência. O mundo é cruel, não poupa ninguém... "O que será da menininha que hoje brinca, embalada por doces sonhos?" A vida levará a menina por outros rumos...   a pobreza é pungente...  Enquanto isso, ela brinca. Mesmo não sabendo que o mundo, as pessoas, muitas vezes, transformam o lírio em lama! Por certo, ela ainda não sabe disso... não agora! Vamos imaginá-la sempre ali: sentadinha, os meigos olhos, os ternos lábios, as mãos magras, a candura do ato de trançar os cabelos da bruxinha... Sim, vamos deixá-la ali, sentadinha, na sua singela...   Inocência.   “Eu cato papel, mas não gosto. Então eu penso: faz de conta que e...

Queimadas - poema premiado

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  Queimaram as folhas de lavanda, o lilás virou breu... fogo vermelho e assassino nas pétalas cheirosas de hortelã... Queimaram os caules suculentos das árvores sonhadoras das laranjeiras em flor... Queimaram os cactos, estrelas pontiagudas e... os espinhos mormacentos sucumbiram à dor... Queimaram o capim verde, suado dos pés calejados, mapas de sonhos, lutas e esmeraldas... Queimaram o coração da mata, pulverizaram o voo alado do mágico beija-flor... - Ah! E o bem-te-vi! Queimaram as águas murmurantes, doces... dos riachos dançantes... - Ah! Chora Iara, Mãe das Águas! Queimaram o lar da onça pintada, do macaquinho inocente, da cutia vigilante, das formigas pensantes... Queimaram nossa natureza! Condenaram às lágrimas gerações inteiras... ** poema premiado na 2ª temporada Poemas da Terra Web tv

Metamorfose líquida - conto

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  A chuva cobrara presença. Lavara as calçadas, os postes, as paredes, o guarda-noturno lá na esquina. No silêncio da manhã que desabrochara, nem mesmo o bem-te-vi nos alegrara com sua cantilena.             O gato Frufru virara super-herói e desafiara as poças d’água, em miados perversos e rancorosos. O céu cinzento se tornara moldura perfeita para o dia nascente coroado de caos líquido.             O Manacá florido também tivera sua cota de sofrimento: despencara em lágrimas saudosas. Restara o desfolhar.             O jardim antes aquarela se ressentira com o aguaceiro. Chorara folhas arrancadas e mortas.               Se a natureza penara e vertia gotas opacas, o mesmo se poderia dizer dos meus pés, metidos em chinelas aguadas.   ...

Dias - miniconto selecionado no Festival Digital de Literatura

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** Miniconto selecionado em São Caetano do Sul - SP