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Mostrando postagens de dezembro, 2020

Ninita - conto

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            Ninita nasceu diferente. Pequeno ser lançado no mundo, sem defesa nenhuma. Nasceu e já se sentiu só.             Ficou perdida em meio ao branco das paredes... sem afago, sem carinho, sem sorriso de mãe, sem dedos de bem-querer.             Nasceu diferente a Ninita. Ninguém quis dela saber. Boneca rejeitada. Nasceu e saboreou solidão.             Olhavam-na apenas, olhos secos de sentimentos. Ela... pontinho minúsculo no gigantesco hospital.             Dias correndo no calendário, folhinha voando... E Ninita perdida na imensidão morna das horas...             Mulheres de branco passando pelos corredores, acenando indiferença.  ...

Belos tons - poema selecionado

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  Despem-se as árvores, lentamente, de suas folhas reluzentes de verde... Caem com suavidade despojada e vão forrar o solo, formando um tapete emoldurado pelos tons dourados... As folhas que ainda ficam, pendentes dos galhos, balançam... ... movidas pelos ventos... outonais...

Rodopios - poema premiado com Menção Honrosa

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  Rodopia o vento em movimentos circulares... rodopia, levanta poeira em ângulos milenares...   Rodopia o balão a pintar o céu cinzento com pontinhos de hortelã...   Rodopia o chapéu azulado em zigue-zagues audazes... carrega amores roubados do último verão!        

Versos perfumados

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Rosas vermelhas, alvissareiras, rainhas da noite em dias de luar.. Perfumam, adornam e pontuam odores... ... são estrelas cadentes de amores viventes à beira do mar!  

Estrelinhas - conto selecionado

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              Paulinho sempre acreditara em Papai Noel. Desde pequenino. Isso falando. Nem adiantava desmotivá-lo, fazer crer que Papai Noel era um mito. Paulinho é que não acreditava em palavras bobas! Coisas de adulto. Doidice. Mito? Ia lá saber o que era esse bicho? Pois se não era bicho, era mesmo doidice de gente cheia da bossa.             E Paulinho jurava ter visto Papai Noel descendo pela chaminé da casa de Ritinha! Foi em noite de estrelas. Frio? Que nada! E quem disse que o nosso Natal vê neve branca? Neve só nos filmes de americano bem posto e feliz. Neve mesmo Paulinho nunca vira, mas teimava ter visto Papai Noel na casa de Ritinha! Mamãe ria um sorriso bondoso. Papai arqueava as sobrancelhas peludas. Mudo, mas preocupado. Maninho caçoava, fazia alarde, pura zombaria. Paulinho batia o pé. Não arredava ideia!        ...

A magia do Natal - poema premiado em 3 Concursos Literários

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    Paulinho não vai pular fogueira. Não vai brincar de amarelinha, não vai soltar pipas arco-íris... Paulinho não vai saltar muros, não vai subir em árvores de romã. Não vai mover aeroplanos ou barquinhos de papel...   Paulinho não vai correr em aquarelas atrás da cachorrinha Ametista ou balançar folguedos pelas ruas de dezembro...   Paulinho está à espreita! da magia de Natal... Olhos de lua, estrelinhas no céu da boca, mãozinhas em valsa, pezinhos em asas, coração em pirilampos... - Papai Noel vem vindo! A magia do Natal perfuma o ar...    

Retrato - poema premiado em 2 Concursos Literários

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    Onde estão as pipas? O riso da meninice a bordar alegrias nos parques alaranjados dos domingos de sol... - Onde estão?   Em que segundo, na infinitude do tempo, o Planeta Terra envergou o manto da dor? E as estrelas choraram lágrimas?   Onde estão os beija-flores? Onde estacionou a esperança cor-de-rosa do arco-íris?   E o pipoqueiro que pintava aquarelas nas avenidas azuis... - Onde está? - Onde?   * Poema selecionado para a Revista Prosa & Verso e para a Revista Ecos da Palavra.

Sobre ser pedra - poema premiado

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  Deixei de ser mineral, pedra e ágata, transcendi minha alma. E, de pedra bruta, lapidei arestas, defeitos, vícios e violência. Na jornada do espírito, elevei-me em vibrações e luz... Da pedra ao arcanjo. Do cascalho ao anjo. Do pedregulho ao sol. Do mármore frio ao coração-amor.    

Desolação - Conto

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  Na estrada coberta de poeira, a vegetação esparsa pintava com suas nuanças um quadro desolador. Por lá, muitos peregrinos passavam, em idas e vindas constantes, o suor escorrendo por suas testas morenas e bronzeadas. O sol inclemente fustigava cada planta e, às vezes, rompia-se algum caule, cansado da tortura dos raios solares. Por aquelas paragens, o verão era escaldante e o inverno, úmido e chuvoso, carregava em suas águas as memórias das agonias sofridas. No meio de cada capim, cada moita de vegetação, os suspiros de angústia enchiam as tardes ensolaradas. Muitos pediam compaixão a algum viajante para, com ele, seguir adiante. Quem sabe, um deles não lembraria de arrancá-los e depositá-los em seus vastos alforjes à sombra finalmente? Mas corriam os dias, meses, anos e nada acontecia, apenas a poeira impregnava cada curva do caminho, a secura deixando feridas sangrentas no solo quase desértico. Muitas árvores de pequeno porte não tinham resistido e sucumbiram ao calor abras...

Os olhos da vovó - conto premiado com Menção Honrosa

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          Maninho  entrou em casa tão rápido que acabou derrubando a cadeira colocada por vovó bem no meio do corredor. Vovó era assim: adorava colocar coisas espalhadas pela casa. E que coisas bizarras eram, na maior parte das vezes! Mas, ultimamente, vovó tinha se superado: mexia como os móveis da casa! Um dia, uma mesa perto do banheiro; outra vez, um sofá em pleno jardim! Mamãe ficava furiosa, porém era dotada de uma alma doce e repleta de nuanças calmantes. Diferente de papai, que só faltava arrancar os últimos fios de cabelo quando via as estripulias que vovó inventava. “Coisa de gente louca, mamãe endoideceu”- dizia, lamentando, à família. Mamãe sorria e, com a ajuda de Maninho, colocava tudo novamente no devido lugar...                         Lembrava de uma ocasião em que papai quase desfalecera com as atitudes de vovó. Isso quase se...

Abandono - premiado com Menção Honrosa

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      Na varanda, os chinelos pousados no canto...   ... e o abandono(!) gritando revolta...