Mais um Natal. Um dia de sol gorducho e de muitas pessoas transitando pelas ruas e avenidas: faces ocupadas, ansiosas, alegres, tristes, crispadas, suaves, felizes... Olhares de pressa; olhares luzidios encharcados de presságios natalinos. Esquinas “borbulhando” de vida e sons. Mãos fortes; mãos frágeis; mãos fagueiras; mãos ligeiras; mãos faceiras... segurando e exibindo sacolas, caixas, pacotes múltiplos e coloridos. Mais um Natal. E Lilo caminhava, cabisbaixo, pensativo... Observava o vaivém da multidão e a beleza eufórica das vitrinas luxuosas decoradas com enfeites de Natal. Mais um Natal. Mas, para Lilo, o Natal não chegava a ser real. Simplesmente, não existia. Ou, quem sabe, para ele, o Natal só existisse como um sonho distante, inacessível... E as gargalhadas dos vendedores e lojistas, o riso florido das crianças eram apenas o b...