Sapatinhos Azuis - meu 6º livro infantojuvenil
Não eram os sapatinhos de Cinderela, daquela Cinderela dos contos de fadas, não. Estes me foram prometidos quando nenê. Não por uma fada-madrinha, mas sim por uma vizinha prá lá de esquisita, moradora da casa da esquina. Moradora era força de expressão. Na verdade, a mulher não tinha paradeiro fixo, vivia sozinha e andava sempre caminhando pelas ruas, esquisita como ela só. Mamãe fechava o rosto assim que ela se aproximava de nossa casa e ficava de sobreaviso, caso a vizinha tomasse alguma atitude violenta. Porém, a mulher parecia pacífica. Trazia, constantemente, nas mãos magras e murchas, um punhado de flores e distribuía-as pela vizinhança. Dessa forma, acabou mesmo conquistando o coração resistente de mamãe. Isso tudo aconteceu antes do meu na...